terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

6 ANOS

  • Perde os dentes de leite e o ar de bebê;
  • A visão binocular torna-se normal (antes não possuía condições de focalizar a vista para longe e perto rapidamente);
  • Demonstra maior desenvolvimento motor e acuidade auditiva;
  • Apresenta melhor coordenação dos músculos menores;
  • Possui grande habilidade para pintar, desenhar, modelar e seus trabalhos são realizados com maior observação e cuidado;
  • É muito ativa e está sempre pronta a adquirir novas experiências: cava, trepa, luta e constrói constantemente;
  • Meninos e meninas brincam juntos, mas já começa a ter interesses diferentes: os meninso gostam de arrastar coisas em carros, misturar terra e água, jogar futebol, lutar. As meninas preferem brincar com bonecas, pular amarelinha, brincar de roda;
  • Despende grande energia, mas quase não sente cansaço;
  • Gosta de brinquedos mecânicos e de armar;
  • Preocupa-se com cuidados pessoais: meninos e meninas ficam muito tempo penteando-se, gostam de perfume etc;
  • Já possui muita habilidade para compreender e utilizar a linguagem: gosta de usar palavras novas, mesmo as que não compreende bem;
  • Já é capaz de ouvir com atenção e de esperar sua vez de falar;
  • Tem boa capacidade de argumentação;
  • Relata bem suas experiências e conta história;
  • Concentra-se por tempo mais longo em atividades livres;
  • Desenha, relacionando diversos objetos em cena única e critica seus trabalhos, às vezes inutizando-os;
  • Tem muita imaginação, mas já sabe diferenciar o real da fantasia;
  • É interessada pelos fenômenos da natureza, objetos, notícias atuais (guerra, eleições);
  • Começa a conhecer o valor do dinheiro;
  • Interessa-se pelo tempo: quer saber os dias da semana, tem noção do que significa ontem, hoje e amanhã, mas atrapalha-se com períodos maiores de tempo;
  • É capaz de transmitir recados;
  • Gosta de organizar grupos, estipulando regras;
  • Já tem hábitos de ordem e higiene formados;
  • Organiza-se em grupos cada vez maiores (aproximadamente sete colegas);
  • Os conflitos sãao raros; usa táticas verbais: "é a minha vez", "eu vi primeiro";
  • Precisa da aceitação e da aprovação do grupo;
  • É crítica, mas tem muito senso de humor;
  • Sente-se superior às crianças mais novas;
  • Aumenta sua curiosidade sobre sexo: casamento, gravidez, nascimento;
  • Aprende que há hora apropriada para cada coisa;
  • Fica triste quando é reprovada pelo adulto, mas já pode compreender quando seu comportamento é prejudicial ou inadequado;
  • Tem grande noção de seus direitos e ressente-se de injustiças;
  • Revela amadurecimento completo para a concretização da aprendizagem da leitura e da escrita;
  • É capaz de seguir ordens mais complexas, que incluam a memorização de detalhes em sequência.

5 ANOS

  • Já controla bem melhor sua emoções. É mais contida;
  • À medida que a noção de tempo vai se organizando, vai adquirindo a capacidade de espera;
  • É capaz de decorar canções e repetir grandes trechos das histórias;
  • Nas atividades corporais, age com maior desenvoltura e equilíbrio;
  • Pula bem corda e arco;
  • Equilibra-se em um pé só por alguns segundos;
  • Há o progresso da coordenação motora fina: enfia contas, manuseia ferramentas etc;
  • Ao fazer sua higiene pessoal, escova os dentes e lava-se sem precisar de tanta supervisão;
  • Segura o lápis com mais segurança;
  • Desenha uma figura humana reconhecível, com diferenciação de partes do corpo;
  • Seu desenho é realista e objetivo;
  • Já é capaz de recompor o retângulo com as duas metades de um cartão cortado na diagonal;
  • Preocupa-se em terminar o que começou;
  • Na conversação, conclui o pensamento que iniciou e revela autocrítica;
  • Já conta até dez objetos e faz somas simples dentro desse limite;
  • É ansiosa por conhecer realidades;
  • Já tem ouvido e olho para detalhes;
  • Prefere brincar em grupo;
  • Gosta de construções de casas, garagens, cidades, de fantasiar-se e dramatizar;
  • Começam as diferenças de interesses entre meninos e meninas;
  • Curiosidade pelas diferenças de sexos;
  • Começa a compreender os diferentes papéis que cada sexo desempenha na vida;
  • Possui mais segurança, mais confiança nos outros, mais aceitação das regras sociais, seriedade, persistência, sociabilidade, controle emocional;
  • O grafismo alcança a cena já organizada em conjunto único, o que prova o nível de organização do pensamento e a orientação espacial já estabelecida;
  • Já lida com três atributos simultaneamente, o que significa lidar com abstrações extraídas do material concreto;
  • Ainda está descobrindo as diferenças entre realidade e fantasia;
  • Chega à média de 2.200 palavras;
  • A coordenação olho-mão não é ainda absolutamente perfeita;
  • Começa a compreensão de como uma coisa pode levar à outra, isto é, de causa e efeito, de como as partes podem adaptar-se para formar uma totalidade e da lógica das normas;
  • Já tem a noção de certo e errado;
  • Preocupa-se muito em estabelecer padrões internos de certo e errado;
  • Desenvolvimento da compreesão e poder de raciocínio;
  • Período de grande crescimento longitudinal, que varia de acordo com os antecedentes biológicos;
  • É ágil e possui bom controle muscular;
  • Anda, corre e pula com firmeza;
  • Desenha com segurança; tem bom domínio muscular no manejo de ferramentas simples e em atividades tais como jogos de encaixe e recortes;
  • Aumenta consideravelmente o período de tempo em que é capaz de concentrar-se;
  • Tudo investiga e verifica, formando os próprios conceitos;
  • Tem boa memória;
  • Planeja o que vai desenhar e critica o resultado de seu trabalho;
  • É sensível a certas situações sociais; manifesta mais claramente ansiedades e temores;
  • Identidade firmemente estabelecida (a base do caráter e da personalidade já está assentada);
  • Suas brincadeiras são mais organizadas;
  • Grande parte dos ensinamentos que recebe ocorre sob a forma de jogos, mas isso não pode substituir as brincadeiras;
  • Equilíbrio entre educação e brincadeira é o aspecto crucial dos 5 anos;
  • As atitudes adquiridas em relação à aprendizagem terão efeitos duradouros.

4 ANOS

  • Atingiu a idade para iniciar suas experiências de vida social e grupal;
  • Combinação de independência e sociabilidade;
  • Mostra-se ativa e muito questionadora;
  • Já não procura tanto a proteção do adulto;
  • Há maior interesse pelas atividades que executa;
  • Há intenso prazer na atividade lúdica;
  • Começam as atividades em grupo, preferindo grupos de dias ou três crianças;
  • Já consegue emprestar os seus brinquedos;
  • Ainda é presa a muitos medos: de escuro, de cão etc;
  • Já se veste quase sozinha;
  • Precisa de um pouco de ajuda para abotoar ou dar laços;
  • Sabe usar os sanitários com asseio;
  • Gosta de tomar banho com outras crianças para satisfazer curiosidades que começam a surgir;
  • Chega à média de 1.500 palavras;
  • Já é capaz de pular, mas ainda não pode fazê-lo em sequência, como pular corda;
  • Tem bom equilíbrio;
  • Sente prazer em vencer dificuldades e obstáculos;
  • Maior independência da musculatura das pernas;
  • Pernas, tronco e braços reagem menos em uníssono;
  • Tem coordenação motora mais fina (já consegue enfiar uma agulha de trico em um orifício pequeno);
  • Seus gestos são mais refinados e preciosos;
  • Em seus desenhos já presta atenção a um detalhe isolado;
  • Consegue copiar um quadrado e um círculo, traçar uma cruz;
  • A figura humana consiste de cabeça e dois apêndices e, possivelmente, de dois olhos (raramente as crianças fazem o tronco antes de 5 anos);
  • Há compreensão dos significados de dia e noite, porém é difícil calcular a duração de cada período;
  • Suas idéias estão muito relacionadas com os objetos reais que ela pode ver e tocar.
  • É capaz de encarregar-se de recados simples;
  • Recorta com tesoura, cola e colore, constrói casas com blocos de armar, desenha retratos quase reconhecíveis de pessoas, pode separar core, modelos e tamanhos;
  • Tenta explicar o que não compreende pela magia;
  • À medida que o pensamento se organiza, irá construir cenas (as figuras ainda são isoladas e soltas no espaço, não havendo traço de união ou relação entre elas);
  • Começa a demonstrar possibilidade de reconhecer quantidades pequens (até cinco elementos);
  • Aprecia histórias mais longas, revelando maior preferência pelas de vida real e bichinhos humanizados;
  • Reconhece os nomes dos coleguinhas e nomes de propaganda (Coca-cola, Itaú);
  • Trabalha facilmente com dois atributos simultaneamente;
  • Brincar, características mais típica dessa idade. Apego ao próprio mundo da fantasia;
  • Mostra-se interessada em aprender o que é real em seu mundo e separá-lo do mundo do faz-de-conta da sua imaginação. Suas brincadeiras refletem o modo como ela oscila entre os dois mundos e também a ajudam a compreender a diferença entre eles;
  • Nem sempre os brinquedos preferidos são cópias fiéis de objetos reais, mas sim materiais quaisquer.

3 ANOS

  • É um ser independente em suas relações com o ambiente;
  • Começa a usar o pronome na primeira pessoa ("eu quero");
  • Começa a dissimular, isto é, já é capaz de mascarar suas intenções para obter alguma vantagem;
  • Seu pensamento já estabelece relações e vínculos com experiências anteriores;
  • Gosta muito de atividades motoras;
  • Já se interessa por jogos de armar, de encaixes de formas simples (quadrado, triângulo e círculo) e tem persistência para resolvê-los;
  • Tem bom equilíbrio e progride muito quanto à coordenação motora;
  • Tem senso de ordem - geralmente arranja os blocos em fila, como um trem, ou em quadrados, como casas em disposição simétrica;
  • Ainda não discrimina bem a maioria das cores, mas tem bom sentido de forma;
  • Expressa-se com sentenças completas - três ou quatros palavras;
  • Começa a usar palavras de maneira adulta;
  • Suas explosões emocionais são geralmente breves, mas pode sentir prolongada ansiedade e ciúmes intensos;
  • Sua brincadeira é ainda solitária. É realizada ao lado, paralelamente, mas não com as outras crianças;
  • Já começa a entender o que significa "esperar a sua vez";
  • Continua aprendendo a coordenar os músculos maiores por meio de atividades repetidas;
  • Sobes escadas sem ajuda, alternando os pés;
  • No desenho, encontra-se na fase da rabiscação celular (começam a aparecer as primeiras formas circulares, ainda sem intenção definida);
  • No desenho, seus traços começam a ser controlados, menos confusos e menos repetitivos;
  • Pode ter controle da bexiga durante o dia;
  • Gosta de inventar nomes para pessoas e objetos;
  • Fala sozinha, praticando a linguagem e dando forma à imaginação;
  • Aparecem as dificuldades para a alimentação e para o sono;
  • Aparecem sentimentos de medo;
  • Através da comparação, a criança começa a perceber as diferenças entre muito e pouco; igual, maior e menor; mais e menos; grande e pequeno; fino e grosso; alto e baixo; gordo e magro; em cima e embaixo;
  • Todas as atividades oferecidas devem levar ao uso do próprio corpo para proporcionar os necessários estímulos a descobertas das noções sobre ele mesmo, bem como sua localização no espaço (orientação espacial). As atividades podem ser: escorregar e balançar ou brincadeiras de pulos, saltos, danças e correrias;
  • Brinquedos e materiais devem favorecer toda a sorte de experiências visuais, táteis, olfativas etc..., através da manipulação de objetos: desenho, recorte, colagem, pintura e dramatização.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

CARACTERÍSTICAS GERAIS DE CRIANÇAS DE 2 ANOS

  • Na habilidade manipulativa são observados progressos;
  • Sobe escadas colocando os dois pés em cada degrau;
  • Participa do ato de despir-se e descalçar-se;
  • Rabisca numa folha grande de papel (rabiscação contínua em várias direções);
  • Encaixa cubos de diferentes dimensões;
  • Identifica algumas cores, embora não cite ainda seus nomes;
  • Conta por imitação e memorização, sem que isto signifique compreensão da quantidade;
  • Reconhece pessoas ou objetos vistos cerca de dois meses antes;
  • Forma frase com duas ou três palavras, apresentando grande aumento de vocabulário;
  • Reconhece expressões fisionômicas;
  • Reconhece a mãe em fotografias;
  • É negativista (gosta de "ser do contra", recusar, protestar);
  • Começa a procurar um companheiro para brincar (a convivência com estranhos é útil para seu desenvolvimento socioemocional);
  • Já se interessa por ouvir algumas histórias de livros ilustrados que lhe permitem explorar um mundo maior através do faz-de-conta e da fantasia;
  • O controle dos esfíncteres é gradativamente alcançado;
  • Presença do monólogo infantil em que a criança faz representações combinando as ações com as palavras;
  • Ocorre a imitação dos pais, mostrando isso em brincadeiras caracterizadas pela imaginação;
  • Gasta grande parte do seu tempo fazendo tentativas obstinadas de independência (quer "descobrir" as coisas por conta própria);
  • Rebeldia e tirania - é incontrolável e impulsiva;
  • Suas afeições e ciúmes centralizam-se na família;
  • Desenvolvimento rápido (em todos os sentidos);
  • Absorve muita coisa olhando e imitando, por meio de atividades e das próprias vivências;
  • Ocorre nessa fase o período de maior desafio - período de afirmação, de independência como maior descoberta.

Fonte: Caderno de Orientações - Anual - 2004 - do Colégio Objetivo (Educação Infantil)

domingo, 14 de fevereiro de 2010

AO CONTRÁRIO, AS CEM EXISTEM - Loris Mlaguzzi

"A criança
é feita de cem.
A criança tem
cem mãos
cem pensamentos
cem modos de pensar
de jogar e de falar.
Cem sempre cem
modos de escutar
as maravilhas de amar.
Cem alegrias
para cantar e compreender.
Cem mundos
para descobrir.
Cem mundos
para inventar.
Cem mundos
para sonhar.
A criança tem
cem linguagens
(e depois cem cem cem)
mas roubaram-lhe noventa e nove.
A escola e a cultura
lhe separaram a cabeça do corpo.
Dizem-lhe:
de pensar sem as mãos
de fazer sem a cabeça
de escutar e de não falar
de compreender sem alegrias
de amar e maravilhar-se
só na Páscoa e no Natal.
Dizem-lhe:
De descobrir o mundo que já existe
e de cem
roubaram-lhe noventa e nove.
Dizem-lhe:
que o jogo e o trabalho
a realidade e a fantasia
a ciência e a imaginação
o céu e a terra
a razão e o sonho
são coisas
que não estão juntas.

Dizem-lhe:
que as cem não existem
A criança diz:
ao contrário, as cem existem".

O QUE SE PRETENDE NA EDUCAÇÃO INFANTIL

A prática da Educação Infantil deve se organizar de modo que as crianças desenvolvam as seguintes capacidades:
  • desenvolver uma imagem positiva de si, atuando de forma cada vez mais independente, com confiança em suas capacidades e percepção de suas limitações;
  • descobrir e conhecer progressivamente o próprio corpo, suas potencialidades e seus limites, desenvolvendo e valorizando hábitos de cuidado com a própria saúde e bem-estar;
  • estabelecer vínculos afetivos e de troca com adultos e crianças, fortalecendo a auto-estima e ampliando gradativamente suas possibilidades de comunicação e interação social;
  • estabelecer e ampliar cada vez mais as relações sociais, aprendendo aos poucos a articular seus interesses e pontos de vista com os demais, respeitando a diversidade e desenvolvendo atitudes de ajuda e colaboração;
  • observar e explorar o ambiente com atitude de curiosidade, percebendo-se cada vez mais como integrantes, dependentes e agentes transformadores do meio ambiente e valorizando atitudes que contribuam para sua conservação;
  • brincar, expressando emoções, sentimentos, pensamentos, desejos e necessidades;
  • utilizar as diferentes linguagens (corporal, musical, plástica, oral e escrita) ajustadas às diferentes intenções e situações de comunicação, de forma a compreenderem e serem compreendidas; expressar suas idéias, sentimentos, necessidades e desejos e avançar no seu processo de construção de significados, enriquecendo cada vez mais sua capacidade expressiva;
  • conhecer algumas manifestações culturais, demonstrando atitudes de interesse, respeito e participação frente a elas e valorizando a diversidade.

O ATO DE APRENDER

  • O ato de aprender sempre pressupõe uma relação com outra pessoa - a que ensina - o professor.
  • Aprender sempre é aprender com alguém.
  • O valor da relação entre um professor e seu aluno, não está na informação que é transmitida de um para outro, mas sim nas relações afetivas estabelecidas entre eles (TRANSFERÊNCIA).
No decorrer do período de latência (6 a 12 anos), são os professores e geralmente as pessoas que têm a tarefa de educar que tomarão para a criança o lugar dos pais (cuidadores), e que herdarão os sentimentos que a criança dirigia a este último. Os educadores, investidos da relação afetiva primitivamente dirigida ao cuidador, se beneficiarão da influência que esse último exercia sobre a criança positiva ou netaviva.

A CRIANÇA E O APEGO

Só existe comportamento de apego quando se verifica que além de reconhecer a mãe o bebê comporta-se de modo a manter proximidade com ela.

  • PRIMEIRO ANO = bebê protesta quando é posto no berço e, mais tarde, ao notar que a mãe desapareceu de sua vista. Existem bebês que, quando a mãe sai, estão absortos em alguma outra atividade, mas quando notam a ausência protestam também. Isso leva o bebê a ficar profundamente atento ao paradeiro da mãe, vigiando-a ou, se ela estiver longe da vista, escutando o som de seus movimentos.
  • 11 OU 12 MESES = torna-se apto, ao notar o comportamento da mãe, a prever a partida iminente dela e começar a protestar antes que ela saia. Sabendo que isso acontecerá, muitos pais escondem os preparativos de saída, para evitar protestos.
  • APÓS OS 3 ANOS = a criança torna-se cada vez mais apta a sentir-se segura num lugar estranho com figuras subordinadas de apego = familiar, professora.
  • APÓS OS 4 ANOS (ao longo dos primeiros anos escolares) = quando saem em passeios de mãos com os pais, quando sentem-se magoados por outras crianças buscam os pais ou substitutos. Durante toda latência o comportamento de apego continua sendo um traço dominante na sua vida.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

LATÊNCIA

Período que vai do declínio da sexualidade infantil (5/6 anos) até o início da puberdade, e que marca uma pausa na evolução da sexualidade.

Nesta fase surgem forças psíquicas contrárias que visam suprimir as sensações de desprazer: repugnância, pudor, vergonha, exigências morais. É uma fase de notáveis mudanças psicológicas e sociais com intensa atividade e gasto de energia.
A maneira como se instituiu e se desenvolveu o processo de latência dirá dos processos da puberdade e adolescência.


PUBERDADE


  • É "preparada" nas etapas anteriores da vida e ocorre de maneira natural quando os aparatos estão prontos para enfrentá-la (maturação);
  • Processo de inúmeras transformações físicas e psíquicas;
  • É dolorido, angustiante, difícil, levando a sentimentos de estranheza, solidão, desamparo, desencanto e ansiedades confusionais;
  • Há uma desilusão com relação ao modelo de mundo experimentado na infância e, simultaneamente, uma busca por se realizar e se encontrar.
COMO É A PUBERDADE HOJE?
  • Meninas: as brincadeiras cada vez mais cedo são substituídas por maquiagens, roupas de adolescentes, festas e interesse pelos meninos;
  • Infância encurtou e adolescência se prolongou;
  • Afrouxamento de regras, valores e limites;
  • Adiantamento da idade da menarca (primeira mestruação) em 4 meses/década;
  • Adiantamento da pré-adolescência;
CAUSAS
  • Precocidade nos diferentes aspectos sociais e cognitivos;
  • Forte apelo sexual nos meios de comunicação;
  • Falta de limites claros estabelecidos pelos pais;
  • Delegação da educação para a escola;
  • Marketing (idade que determina o consumo);
  • Convivência e participação na vida dos pais;
  • Indiferenciação de papeis;
  • Acessos irrestritos e ilimitados à TV e Internet - assuntos às vezes acima da capacidade de compreensão cognitiva e emocional;
  • Ambientes familiares permissivos / abandonantes;
  • Preferência por companhias virtuais;
  • Mudanças na família e substituição das funções maternas/paternas;
  • Escolas: novas configurações sociais, cultura da imagem, possibilidades de viver inúmeras experiências indiscriminadamente;
  • Terceirização da Educação;
  • Avanços tecnológicos = velocidade, atendimento sistemático das necessidades imediatas da criança e o desenvolvimento da cultura do prazer - gerando não tolerância à frustração;
  • Fenômeno da juvenilização.
CONSEQUÊNCIAS
  • Pais querendo colocar os filhos na 1ª série prematuramente, o que reverte em problemas emocionais importantes pos etapas são "puladas";
  • Transtornos de aprendizagem, TDAH, transtornos de personalidade, etc;
  • Pais preocupados mas sem saber como agir (proliferação de livros de auto ajuda e programas do tipo Supernanny).
CONCLUSÕES
  • Crianças pressionadas a se "apressarem";
  • Estereotipização de condutas e costumes = pseudo-adultez;
  • Dificuldades nos processos simbólicos;
  • Elevado nível de ansiedade infantil;
  • Poucas brincadeiras;
  • Excessiva preocupação de pais com o sucesso dos filhos - o brincar é preenchido com atividades que preparem para o futuro profissional;
  • Pais cada vez com menos tempos para ouvirem as necessidades reais de seus filhos.